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“Que livro mais trágico!”

 

Aconteceu um dia desses. Apresentei o livro para uma pessoa e, ao citar que São Paulo foi destruída pelos pecados dos habitantes e que Alice buscava respostas para a morte de seu pai, recebi o comentário “Que livro mais trágico!”.

Confesso que isso me pegou de surpresa e, como acontece muitas vezes comigo, fiquei matutando sobre isso e cheguei à resposta ideal dias depois do acontecido.

Fato é que o livro não seria um suspense se não fosse trágico, porém o que me leva a escrever algo tão trágico quanto isso, invés de escrever sobre coisas belas?

Bem, só porque é trágico, não significa que não é belo. A vida em si é trágica, é cruel. Entramos no mundo sem saber direito porque e nossa única certeza é que um dia morreremos. Certamente, bem trágico. E nem fui eu que escrevi! rs Mas isso não tira a beleza da vida de jeito algum.

Escrevo suspenses também porque acredito que é em momentos de real perigo, emoção e nas maiores dificuldades que brota o melhor do ser humano. É uma forma de encarar o mundo. Você pode ver os problemas da sua vida como situações desagradáveis (e realmente são), mas também pode olhar adiante disso. Parece piegas, mas cada desafio é uma oportunidade imensa de crescer.

Eu mesmo já reparei que em momentos da minha vida em que realmente me senti desafiado e tive que enfrentar meus medos e meus próprios erros… Bem, foram estes momentos que mais me fizeram crescer. É a doçura de ser humano, como disse no post anterior…

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Esses seres humanos…

Mesmo com todos os poréns, sobre o que mais poderíamos escrever a não ser sobre nós mesmos, seres humanos?

Que outro assunto seria tão rico de detalhes? Que outro assunto seria tão apaixonante?

Que outro ser no mundo é capaz de amar tanto ou ser tão estúpido?

Eu sempre fico boquiaberto com o que somos capazes de fazer, tanto para o bem, como para o mal. Nossas habilidades são tremendas. Às vezes, até tento me colocar fora da humanidade para tentar entender alguma situação que foge do corriqueiro. “Ah, esses humanos…”, penso.

E querendo ou não, é sempre sobre isso que escrevemos. Ou, pelo menos, é da percepção dos fatos como humanos. Certo é que os humanos são admiráveis em toda a sua variedade de sentimentos, motivações, valores que dão às coisas, sonhos… e até nos seus erros. Fale a verdade, é bem mais gostoso ler um personagem que tem seus defeitos do que alguém que faz tudo certinho, né?

Somos humanos e adoramos isso.

Uma desculpa para viver outras vidas

O que é o escritor senão um ser inquieto que não se contenta em viver só sua própria vida?

Gosto de acreditar que existe vida demais dentro de um escritor para um só corpo viver. É preciso repartir a consciência em outras personalidades para vivenciar situações diferentes e experimentar outras peles para ver qual se encaixa melhor. E é justamente esta experiência de empatia, de se colocar no lugar do outro que é uma das melhores coisas de ser escritor. Dá outro sentido a vida. Faz com que você entenda melhor as outras pessoas e que no mundo não existe só a sua vontade.

Todo mundo quer alguma coisa e muitas vezes os desejos seus entram em conflito com os de outra pessoa. Então… quando eu posso escolher que é o melhor momento para eu perder para que quem eu amo ganhe? Como posso ajudar outros a também serem felizes?

É nisso que eu acredito… Conviver, coexistir, respeitar, amar.

Para mim, ser escritor é isso. Uma desculpa para viver outras vidas e todas as formas de amar.

Processo criativo – Criando um texto cativante

Escrever é uma arte. Escrever de maneira cativante e que prenda o leitor é ainda mais admirável.

E o que fazer para conseguir isso? O melhor conselho que posso dar é: planejamento.

Pense a história toda primeiro, antes de colocar as letras na folha oficialmente. Lógico que ao decorrer da escrita, sua ideia sofrerá modificações, mas saber onde você quer chegar é a melhor forma de saber como começar. Assim, você já sabe que informações precisa inserir ao longo do texto para que, ao final, o leitor tenha tudo o que precisa para apreciar e entender a conclusão.

Além disso, isto possibilita que você distribua informações e ações ao longo do texto de maneira pensada. Você tanto pode segurar informações em determinado momento pra aumentar a expectativa do leitor, como jogar novas informações para que o leitor não tenha a impressão de nada acontece no livro e que a leitura não rende.

Descreva os acontecimentos do livro em poucas linhas, talvez uma ou duas páginas. É mais fácil acertar 2 páginas que vinte. Quando o negócio ficar redondinho em 2 páginas, passe para a escrita de verdade, com todos os detalhes.

Vai por mim, é uma boa ideia!

A vida de escritor

Muita gente que lê este blog certamente deve pensar em escrever seu próprio livro e viver como escritor. Para elas, eis um pouco da minha vivência no assunto!

Pra começar, publicar seu livro, no Brasil, não significa muita coisa. Você apenas colocou seu nome na prateleira junto a milhares de outros títulos. Publicar é só o começo. Você precisa correr muito atrás pra fazer dar certo. Isso exige muita dedicação, tempo e, claro, o maior complicador… dinheiro. Tudo custa: banners, marcador de páginas, folhetos, viagens para divulgar… E, sendo um escritor iniciante, muitas vezes você não tem a verba para fazer tudo que gostaria. Infelizmente.

Por outro lado, existem coisas que dinheiro algum consegue pagar, como ver seu livro chegar a pessoas desconhecidas e, muitas vezes, distantes! Aquela história que antes existia só na sua cabeça agora faz parte da vida de muitas pessoas. Lembro-me bem da emoção de ver pessoas lendo pela primeira vez em Recife, Rondônia ou Porto Alegre. É muito gratificante.

Assim como é poder conhecer pessoas em eventos como a Bienal e ouvir de leitores que suas vidas mudaram com o livro. Certamente, poder afetar a vida de outras pessoas positivamente é uma das coisas mais incríveis que a vida de um escritor pode oferecer. Pelo menos para mim, foi o motivo de entrar nesta carreira em primeiro lugar! =)

Processo criativo – O protagonista ideal

Já faz algum tempo que não escrevo para esta editoria. Segue hoje mais uma dica minha sobre como escrever. Espero que seja útil.

Uma questão importante ao criar uma trama é ter um protagonista interessante e cativante com quem o leitor se identifique. Se esta química não rolar, você perdeu o leitor. Não importa quão legal seja a trama, se o protagonista não te fizer torcer por ele, já era! rs

O que é preciso pra isso? Na minha visão, ele primeiro deve ser bastante humano. Isso quer dizer que ele devem estar bem claras suas habilidades e defeitos. Assim, o leitor sabe de suas dificuldades e do que ele é capaz. Também sabe quando ele está vivendo um grande desafio ou superação.

Outra coisa muito interessante é o que diz o mitólogo Joseph Campbell. Esse cara, a quem me refiro muito, estudou mitos de várias partes do mundo e percebeu que a estrutura e significado deles são bem semelhantes. Quanto a protagonistas, ele diz: a jornada pela qual o herói terá que passar é justamente aquela para a qual ele está preparado. Ou seja, a aventura que espera este herói é justamente o maior desafio para ele, mas ele tem todas as condições de enfrentá-la, ainda que ele mesmo não saiba disso.

Além de tudo isso, o protagonista (assim como qualquer personagem) deve utilizar sempre a mesma personalidade, modo de falar, pensar e agir durante todo o livro. Parece bobo, mas é muito importante para manter a veracidade da trama.

Leitura recomendada para quem quiser se aprofundar:

O Herói de Mil Faces – Joseph Campbell

 

The book is in the tablet

Conversando com alguns leitores na Bienal, chegamos à conclusão de que, pelo número de pessoas ali, o interesse na literatura não é tão baixo quanto se costuma pensar no Brasil.

No último sábado, dia 18, por exemplo, teriam passado por lá 123 mil pessoas. Eu, que estava lá, pude conferir que o número não é exagero. Estava difícil andar mesmo. E todos carregavam sacolas por lá. Ou seja, possivelmente é o PREÇO dos livros o grande fator que dificulta o acesso à cultura.

Isto dito e, com a democratização da internet no Brasil, a pergunta que fica é: seriam os e-books a nossa solução?

Lógico que nem todo mundo tem acesso fácil aos tablets, mas se as pessoas puderem ler na tela do computador, a coisa ajuda muito. Por não ter custo de produção, um e-book é bem mais barato. É só clicar e baixar. Pronto, o livro é seu.

Estátuas de Sal ainda não tem uma versão virtual, mas é algo que ando pensando ultimamente.

E você? Prefere o livro físico ou se contenta com o e-book?

Quando o autor aprende com o leitor…

Depois de algum tempo de livro lançado, um autor já escutou de tudo a respeito do seu livro. Desde que ele é incrível e fantástico até que ele é um dos piores e mais chatos do planeta. Estátuas de Sal não é exceção. Lógico, tudo depende da percepção de cada leitor. Cada um tem um gosto, afinal.

O importante é o autor ficar esperto com as críticas que recebe. Assim, pela média, já sei o que na trama de Estátuas de Sal é preciso mudar para que ela fique mais agradável para um maior número de leitores e o que são os pontos fortes do livro.

Digo isso visando as próximas edições do livro. A cada edição, o autor tem uma chance de fazer estes ajustes no conteúdo. É o que pretendo fazer, bastante apoiado nas críticas dos leitores. Não pretendo mudar nada significativo, mas alguns ajustes são sempre bons!

Pois bem, leitores. Isso tudo para dizer que aprendo muito com vocês e que críticas construtivas são sempre bem-vindas! Se você já leu EdS, manda sua crítica para livroestatuasdesal@gmail.com ou posta no Skoob de Estátuas de Sal.

Para ler as críticas que já saíram, dá uma olhadinha na seção O que andam falando.

Grande abraço!

O que vi da Bienal SP 2012

Participei de 10 dos 11 dias da Bienal de SP deste ano. O que vi? Bom, a pergunta na verdade deveria ser o que não vi!

Muitos autores interessantes, muitos leitores interessados. Muita cultura, muita alegria. Personagens vestidos, autores famosos, risos etc etc etc!

De minha parte, fiz muitas amizades com pessoas interessantes, leitores e autores. Vendi todos os exemplares que tinha exposto, inclusive por duas ocasiões levei exemplares de casa para ajudar a repor o estoque. No total, de acordo com as minhas contas, foram mais de 110 exemplares.

Então, fica aqui meu MUITO OBRIGADO de coração a todos aqueles com quem tive a oportunidade de conversar estes dias. Àqueles que levaram o livro para casa, espero que se divirtam lendo tanto quanto eu me diverti escrevendo. Àqueles que não levaram, espero que possam ler em breve. Para todos os vendedores, autores e todo o pessoal que participou do estande da Novo Século, meu relato de que foi um prazer conhecê-los e que espero reencontrá-los em breve.

Vejam na galeria abaixo um pouco do que foi a Bienal SP 2012 pra mim!

Grande abraço a todos!

Curta metragem de Estátuas de Sal

Olá, pessoal!

Como vocês sabem, começou a Bienal de São Paulo. Para comemorar, estou lançando um vídeo muito especial. É um curta metragem dentro do universo de Estátuas de Sal, com atores reais e tudo! rs

Apesar de servir como um booktrailer, a cena retratada não está no livro, mas acontece paralelamente à trama do livro. É um bom começo para quem quer saber afinal de contas, quem são as estátuas de sal!

Espero que gostem!