Processo criativo – Ritmo

Uma das coisas que dou mais valor em um livro a cada dia que passa é o ritmo da narrativa. Esse é um fator de fundamental importância na hora de fisgar o leitor. De nada adianta ter um plot genial e personagens interessantes se o desenvolvimento da história se der num ritmo muito lento ou muito rápido. No primeiro, o leitor perde o interesse ao ver que as páginas passam e a história não anda. No outro, o leitor não tem tempo de saborear o prazer de ler e as emoções e lições que a história podem render acabam se perdendo.

Pois bem, mas como saber o ritmo certo?

A pergunta de um milhão de dólares não tem uma resposta concreta. Na minha visão é preciso mesclar um pouco das duas maneiras de narrar e achar o equilíbrio exato para sua história. No caso de Estátuas de Sal, o livro mescla momentos mais filósoficos e internos da protagonistas com cenas de ação e suspense. O primeiro caso, desacelera a narrativa, pois visa gerar reflexão no leitor e o segundo, certamente é lido de maneira mais rápida, pois não precisa que toda linha seja mastigada mentalmente antes de se progredir com a leitura.

O que tentei fazer foi mesclar estes momentos para conseguir que a leitura não fosse enfadonha demais, nem rasa demais no quesito conteúdo. Há também que se pensar no tipo de cena que se tem. Numa cena de suspense, por exemplo, é preciso diminuir o ritmo da leitura, dar detalhes, prender a atenção e colocar aos poucos as ações, justamente para prender o leitor. Numa cena de ação, numa briga, por exemplo, é necessário colocar uma narrativa mais rápida, muitas ações em poucas linhas, para que o leitor também tenha a impressão que as coisas acontecem rapidamente.

Outra coisa importante para o leitor não perder o interesse é não colocar cenas desnecessárias no livro. Cenas que contribuem pouco ou nada para a história devem ser cortadas ou incluídas muito brevemente.

Por fim, encontrar o ritmo certo é uma arte que toma um bastante trabalho, algo artesanal, por assim dizer. Não dá pra generalizar. Cada livro pede um tipo de narração.

O jeito é ler e reler o que se escreveu até achar que se encontrou o ritmo correto. De todas as dicas que coloquei aqui, esta, talvez, seja a mais valiosa. Além disso, como fazem os estúdios de cinema de Hollywood, fazer pequenos testes com algumas “cobaias” é válido. Passar o livro para um amigo, um parente ou quem mais estiver por perto e pedir sua opinião também é uma forma bem legal de medir se o ritmo está bom!

Dicas dadas, agora é mãos à obra!!

Grande abraço,

André Cardinali

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s