Processo criativo – enigmas

Olá, pessoal!

Este post é o primeiro de uma série. Pretendo dissertar um pouco sobre o meu processo criativo para aqueles que desejam começar a ingressar na literatura. Este não é um guia definitivo, não são regras absolutas e inquestionáveis. São apenas relatos de como escrevo e que podem servir para ajudar quem está “bloqueado”, digamos assim. Cada autor tem o seu processo para pesquisar, criar, escrever. Nem eu mesmo sigo a risca o meu processo. Às vezes, ele acontece em outra ordem ou simplesmente nem acontece, é suprimido. De qualquer forma, é mais ou menos assim que acontece na maior parte das vezes.

Pra quem quer escrever suspense, uma das maiores dificuldades (e isso fui descobrir só na hora de escrever mesmo) é criar enigmas e mistérios. Se trata-se de uma história de investigação, você não pode dar uma dica muito boa ou o leitor vai sacar antes que o seu personagem lerdo e, provavelmente, perder o interesse na leitura. Tem que ser algo que confunda mais que esclareça, a princípio. Desse modo, o leitor ficará interessado em ler mais, em descobrir mais detalhes. Essa é exatamente a graça do negócio. O leitor quer descobrir também e está raciocinando junto. Isso é algo que deve-se manter sempre em mente e a regra número um desse processo é jamais subestimar o leitor. Jamais achar que ele nunca saberá disso ou aquilo, não colocar coisas muito óbvias ou fáceis, a não ser que seja uma pista falsa. Aí, sim, o negócio fica interessante!

Mas criar enigmas, charadas ou pistas é bem complicado. Outra regra importante é sempre saber o que esse mistério é, no final. Se for algo muito simples, todo o mistério feito fará com que o leitor se zangue. Pra mim, foi o que aconteceu com Lost. Decepcionei-me com o final, pois deu pra ver claramente que muitos mistérios que eles criaram não tinham explicação. Ou tinha uma bem porca. A intenção era apenas deixar o público em estado de choque com algo bizarro, fora do comum. Aí, o que aconteceu era óbvio. Eles feriram as duas regras que citei. Subestimaram o espectador que ficou esperando algo fantástico, inacreditável e que valesse a pena todo o mistério. Mas não… era uma luzinha numa caverna. ¬¬

Enfim, decepções pessoais à parte, o espírito do negócio é: não blefe. Isso só vai irritar o leitor. Se o mistério não é lá tão espantador, não enrole tanto o leitor. Seja mais breve, direto e não dificulte tanto o código. Aliás, falando no código, essa é a parte mais difícil. Como dar uma pista que não seja o suficiente para o leitor pegar tudo tão depressa? Como fazê-lo entender tudo em um determinado momento?

O segredo é um só: pesquisa. Quanto mais pesquisa, melhor. Essa, aliás, é uma regra que vale para tudo num livro. Quanto mais pesquisa você fizer, mais intrincada pode deixar sua pista. Imagens, palavras, estímulos sensorias (por que não?). Palavras podem ser ambíguas ou usadas como poesia, o que abre novos significados. Palavras desconhecidas, de outras línguas, outras culturas. Às vezes, as palavras são comuns, mesmo, mas são citações de algum obscuro autor da Idade Média, sei lá. Depende do seu segredo.

Imagens também são boas para brincar. Elas têm diferentes significados dependendo do lugar e do tempo. Podem ser referências a outras coisas. Um código bom reúne todos esses aspectos e só com as dicas certas, que você mesmo vai fornecer no momento adequado, as pessoas conseguirão decifrar. No suspense, especificamente, existe uma coisa bem legal que é ser sucinto. Quanto menos você disser, mais mistério deixa no ar e mais interessado fica o leitor.

Capriche na atmosfera e só dê as dicas certas na hora certa. =D Essa é a dica!

Grande abraço!

André Cardinali

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2 Respostas

  1. Curti muito o texto. Valeu aí pelas dicas!

    7 de janeiro de 2011 às 19:18

  2. Boa tarde André!
    Tudo bem?
    Sou o escritor do livro Cinco Sentidos, e estou lhe seguindo e passarei a colocá-lo no meu link de amigos e colegas Novo Século!
    😀
    espero que tenhamos muito sucesso.
    Estou com mt vontade deler seu livro, se interessar podemos fazer uma troca. oq axa?
    valorizo um autógrafo.. rsrs!
    Abraçoss

    6 de janeiro de 2011 às 16:23

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