Influências audiovisuais em Estátuas de Sal

Sou formado em Rádio e TV, amante de cinema e trabalho com roteiro. Nada mais aceitável que ter influências audiovisuais no meu trabalho, certo? Então, permitam-me elencar algumas das maiores influências cinematográficas e televisivas para escrever Estátuas de Sal e meus próximos livros.

1-      Lost – Um marco da TV. Na verdade, a única série que acompanhei até o final. Não tenho muita paciência pra séries. Tem que ser algo fenomenal, único, criativo e instigante. Todos estes adjetivos servem para descrever Lost. Uma paixão que cultivei por anos e que me influenciou na forma de usar o suspense em Estátuas de Sal. Quem não assistia a série e ficava boquiaberto em todo final de episódio, quando o logo aparecia na tela? Manter o espectador interessado, instigar a criatividade, colocar constantemente desafios novos e situações bizarras e fora do comum, que exigem uma explicação urgente. Assim, Lost me fez pensar na forma de escrever. Manter o leitor com olhos grudados, sempre com a vontade de ler “apenas mais um capítulo” ou “apenas mais uma página” e, assim, devorar o livro. Essa era a intenção e foi um trabalho cansativo. Montar enigmas e charadas é mais complicado do que parece, principalmente se você não quer que o leitor descubra tudo facilmente. Confesso que me decepcionei com o final de Lost, mas no fim das contas, valeram a pena os seis anos de entretenimento que sempre me deixavam esse gostinho de “quero mais”.

2-      Matrix – Outra paixão. Uma união perfeita (na minha opinião) de entretenimento e cultura. Cultura de verdade, do tipo que a arte deve trazer. Filosofia, exercício de reflexão para o espectador. Uma obra de arte que não termina no fim do filme, pois gera discussões e mais discussões. Amo Matrix, a forma como foi construída a estória, as referências culturais mais variadas, o universo como um todo. Matrix me guiou muito nesse sentido. Como fazer o leitor pensar? Qual é a mensagem mais importante para se passar para as pessoas e como fazer isso? Acredito que, quando o leitor (ou apreciador de qualquer forma de arte) procura o sentido da obra junto com o autor, a mensagem é passada de forma muito mais eficaz. Também possibilita que uma obra se transforme em várias, já que cada pessoa tem uma interpretação. É algo fascinante. Matrix me ensinou muito sobre como ser rico em cultura e, ainda assim, deixar a obra interessante, ritmada, cativante.

3-      Filmes de M. Night Shyamalan – Refiro-me aos primeiros, que são meus preferidos. O Sexto Sentido, Corpo Fechado, Sinais e A Vila. Muita gente não gosta, eu adoro. Acho que Shyamalan é um gênio para criar a aura de suspense. Sempre me manteve de olhos fixos na tela, esperando o próximo passo. Também tem um roteiro bem fechadinho. Cada ação em cena tem um sentido e, muitas vezes, só se percebe o sentido de determinada ação ao assistir repetidas vezes o filme. Esse tipo de coisa me fascina. Uma obra para ver e rever (ou ler e reler) e sempre se achar algo novo. Foi um dos pensamentos que me guiaram na escrita de Estátuas.

Outros filmes que, de uma forma ou outra, me inspiraram: Os Doze Macacos, Constantine, Rios Vermelhos, Blade Runner, K-Pax, O Código da Vinci, Anjos e Demônios (assim como os livros desses dois últimos, é claro). Aliás, todos os filmes citados neste post, altamente recomendados por este autor! =D

Grande abraço a todos!

André Cardinali

 

 

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Uma resposta

  1. Sou suspeita a falar quando o assunto é Lost porque é a melhor série que já vi e será muito difícil alguma tirá-la do topo da minha lista ^^
    Não posso dizer que também me decepcionei com o final. Esperei algo diferente do que ocorreu, mas sempre bate a vontade de revê-la. Fica aquela sensação de que deixei passar alguma coisa.

    Matrix me confundiu na primeira vez em que assisti. Mas o contexto filosófico foi se descortinando à medida em que revia os filmes. Encontrar as respostas é bom, mas formular as perguntas é o que nos faz crescer, não é? ^^

    Adoro o trabalho que Shyamalan fez em O Sexto Sentido e Sinais. De A Vila, posso não ter gostado muito pela história em si, porque assisti há muito tempo, ou porque alguns comentários negativos às vezes nos contaminam, antes mesmo de a gente a conhecer o trabalho… Como é o caso de O Último Dominador de Ar – vi fãs que se mostraram insatisfeitos e me pergunto por quê. Mas, como procuro evitar julgamentos sem prévio conhecimento, claro que vou assisti-lo, rever A Vila e elaborar uma opinião mais consistente ^^

    Abraços, amigo!

    26 de março de 2011 às 18:53

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